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Fábulas

Fábulas

O rapaz e o lobo


Todos conhecem esta fábula (de Esopo) que vinha nos antigos manuais escolares, de um rapaz que era pastor de ovelhas e gostava de pregar partidas às pessoas da aldeia.
Como?
Ele gritava "socorro! Vem lobo" e toda a aldeia lhe acudia.
Quando viam que afinal não havia lobo nenhum ficavam furiosos, mas da próxima vez que ele gritava por socorro voltavam a acudir-lhe.
Até ao dia em que se fartaram de ser comidos por parvos.
Só que, na primeira vez em que ninguém lhe acudiu veio mesmo um lobo que roubou algumas ovelhas e deixou o rapaz muito maltratado...

Hoje lembrei-me desta história a propósito dos sindicatos dos professores: eles são como o rapaz, tal e qual.
Por tudo e por nada gritam que vem lobo, o pessoal acode todo e afinal não era nada!
Neste momento está a FENPROF a gritar "looobo" e a FNE a dizer que ainda-não-se-sabe-bem-se-é-ou-não-é-o-lobo-mau e o pessoal sem saber o que fazer!

Mas eu sei que desta vez vem mesmo um lobo...
Só que primeiro é preciso deixá-lo aproximar-se e tentar chegar à fala com ele para ver das suas intenções.
Se realmente forem as piores, toda a gente deve estar preparada e cheia de energia para lhe fazer frente...
O pior é que, com tantos falsos alarmes, nessa altura ninguém vai estar com pachorra para fazer nada (sem pachorra, sem moral e sem dinheiro).

E aí não vai haver ovelha que se safe neste rebanho!!

Para desanuviar isto...

1. Quem andar à procura de emprego vai entender este anúncio?
2. Ou vai deixar de querer o trabalho só por causa dos erros?
3. Ou nem sequer dá pelos erros?

Se respondeu:
1. sim
2. não, não vai querer porque é melhor ficar em casa a receber o rendimento mínimo
3. não sabe/não responde

Acertou!!

Então para que andam todos tão preocupados com a educação?
Como dizia aquele senhor de Santa Comba "povo ignorante é povo feliz"!!

Ignorância e arrastões

A conversa foi na RTP, depois a discussão estendeu-se a muitos blogues.
No Arrastão, vai uma discussão interessante, mas também com muita ignorância à mistura. Alguns comentários são de gente que parece viver noutro planeta...

Na sequência duma frase, para mim muito infeliz, do autor do blog em relação a Fátima Bonifácio (e nem estou a armar-me em defensora da senhora que não conheço de lado nenhum) por ela ter afirmado que a maioria dos pais e encarregados de educação são analfabetos ou andam perto disso, ia caindo o Carmo e a Trindade!
Mas ela está - infelizmente!! - cheia de razão!

No início de cada ano lectivo faço uma caracterização da turma da qual faz parte, entre outros itens, as habilitações literárias dos encarregados de educação.

Para arrumar de vez com a discussão, pois contra factos não há argumentos, cá vão os números:

N.º de alunos da turma: 19
Pais e mães que estão caracterizados relativamente às suas habilitações literárias: 35

com o 11º ano: 1 (um!!)
com o 7º, 8º e 9º: 9 (nove)
com o 6º ano: 3 (três)
com o 4º ano: 11 (onze)
analfabetos: 11 (onze)

(de salientar que muitos dos pais e mães que têm o 4º ano de escolaridade são analfabetos funcionais, do género de não conseguirem preencher uma simples autorização para uma visita de estudo!)
A escola está integrada num Agrupamento onde há mais seis escolas do 1º ciclo e o panorama é idêntico em todas elas. E não, não fica no meio dum monte atrás do sítio onde Judas perdeu as botas: fica a escassos 6 km do centro da cidade de Aveiro!

Há muito trabalho a fazer na educação, seria bom deixarem de "malhar" nos professores e desculpabilizar os pais que preferem ver a novela a ver se os filhos fizeram os deveres ou se já sabem a tabuada... "A tua mãe ajudou-te a ler a lição?" "Não que ela estava a ver a novela.", não são frases inventadas por mim, garanto-vos!
E não vou falar dos que vêm para a escola em jejum, dos que nem sabem quem é o pai, dos que dizem "a minha mãe arranjou outro homem e agora não me quer lá em casa"... enfim, vou ficar por aqui!

Os números estão aí, tirem as vossas conclusões!!

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