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Fábulas

Fábulas

Ainda o turismo...

oleiro.jpg

FARAV, 2005

Comove-me a importância que a Câmara Municipal de Aveiro dá aos turistas...
Primeiro, contra tudo e contra todos (menos os donos dos bares, é claro) foi o alargamento do horário dos bares até às 4 da manhã.

Depois é a piscina fechada: se os bares estão abertos, para que raio serviria a piscina?
Que eu saiba aquilo costuma ser cheio com água e algum cloro, não com "shot's"... portanto, não interessa!

E a cereja em cima do bolo é a Feira de Artesanato, onde os artesãos têm de pagar para estar lá a trabalhar e a mostrar o seu trabalho, atraindo assim centenas de pessoas!!
(Não confundir artesãos com vendedores!)
Estou a referir-me à olaria, uma actividade típica cá da zona, que foi praticamente erradicada desta feira!
Mas isso também não é turistico, pois não?

Já agora, alguém que me explique o que é turistico!!!

Turismo rural

E depois da praia... o campo!
Só que este texto não é da minha autoria... recebi por mail, desconheço o autor!

«Trata-se de um desporto nacional que antes se chamava "ir à terra".
A diferença é que se fores à tua terra, vais de borla, e se fizeres turismo rural vais a uma terra que não é a tua e pagas uma pipa de massa.
Para fazer turismo rural não serve qualquer terra.
Tem de ser uma terra "com encanto".

E o que é uma terra "com encanto"?
Obviamente, é uma terra que está num guia de terras "com encanto".
Está-se mesmo a ver. A estas terras chega-se normalmente por uma estrada municipal "com encanto", que é uma estrada com tantos buracos e tantas curvas que quando chegas à terra estás mortinho para sair do carro.

A seguir, ficas instalado numa casa rural ou "casa com encanto", que é uma casa decorada com muitos vasinhos e réstias de alhos penduradas do tecto, que não tem televisão, nem rádio, nem microondas.
Em contrapartida, tem uns cabrões de uns mosquitos que à noite fazem mais barulho que uma Famel Zundapp.

Depois apercebes-te que os da terra vivem numas casas que não têm encanto nenhum, mas têm jacuzzi, parabólica, internet e video-porteiro.
A tua casa não tem video-porteiro, mas tem uma chave que pesa meio quilo.

Outra vantagem de fazer turismo rural é que podes escolher entre uma casa vazia ou ir viver com os donos da casa.
Fantástico!!!
Vais de férias e, além da tua, ainda tens de aguentar uma família postiça.
Onde, à noite, queres ver o filme e eles os documentários, perguntas-te: "Quem é que manda mais? Eu, que paguei 600 euros ou este senhor que vive aqui?"
Ganha ele, que tem um cacete.

Ainda por cima, dizem-te que tens "a possibilidade de te integrares nos trabalhos do campo".
O que quer dizer que te acordam às cinco da manhã para ordenhar uma vaca.
Não te lixa?

É como ires à bomba da gasolina e teres de pôr tu a gasolina, ou como ires ao McDonalds e teres de arrumar o tabuleiro. Ou seja, o normal.

Mas o "encanto" definitivo são "as actividades ao ar livre".
Como quando te põem a fazer caminhada, que é aquilo a que normalmente se chama andar, e consiste, exactamente, em por um pé em frente ao outro até não poderes mais, enquanto os da terra vão num jipe com ar condicionado.
Mas tu feliz da vida, vais pelo campo atordoado.
Tornas-te bucólico e tudo te parece impressionante: vês uma vaca e dizes: "Humm, que cheirinho a campo!"
A campo não, a bosta!!!
E tudo, seja o que for, te sabe maravilhosamente: na mesa pespegam-te dois ovos estrelados com chouriço e tu na cidade não comes estes ovos, nem estes chouriços. E perguntas ao empregado?
- Este chouriço é da matança?
- Quase, porque o gajo do camião da Izidoro ia morrendo ali na curva.

De repente, ouves umas badaladas e dizes:
- Ah! Que paz! Não há nada como o som de um sino!...
E o gajo do café diz-te:
- É gravado. Não vê o altifalante no campanário?

Nesse momento, perguntas-te se os ruídos das galinhas e dos grilos Não estarão num CD: "RuralMix2006" ou
"Os 101 Maiores Êxitos Campestres".
A única coisa de que tens a certeza é que os cabrões dos mosquitos são verdadeiros.

Eu acho que, de segunda a sexta, as pessoas destas terras vivem como toda a gente, mas ao fim-de-semana espalham pela estrada uns tipos mascarados de pastores e quando vêem que se aproxima um carro, avisam os da terra pelo telemóvel:
"Ei, vêm aí os do turismo rural!"
E mudam o cartaz de "Videoclube" pelo de "Tasca", soltam uns cães pelas ruas e sentam à entrada na terra dois avôzinhos a fazer sapatos, que depois tu compras e saem-te mais caros que uns Nike.
Enfim, acho que uma montagem tão grande como esta não pode ser obra de pessoas isoladas.

Tenho a certeza de estão implicadas as autoridades.
Imagino o Presidente da Câmara:
- "Queridos conterrâneos: este Verão, para aumentar o turismo, vamos importar mais mosquitos do Amazonas, que no ano passado tiveram imenso êxito. E quero ver toda a gente com boina, nada de bonés de pala da Marlboro. E façam o favor de pintar o espaço entre as sobrancelhas, que assim não parecem da província! E as avós: nada de topless na ribeira, que espantam os mosquitos! E só mais uma coisa: este ano não é preciso ninguém fazer de maluquinho da terra, que com os que vêm de fora já chega!»

Receita para um dia de praia

Ingredientes:

toalhas (1 por utilizador)
pára-vento
guarda-sol
cadeira
saco - de preferência às riscas azuis e brancas - contendo: protector solar, revistas, livros (leves, nos dois sentidos da palavra), bolachas, água, baralho de cartas, bloco de notas, esferográfica (amaior parte desta tralha não vai ser necessária, mas como isto é uma receita devem indicar-se todos os ingredientes)

Mete-se tudo na mala do carro e parte-se para a praia.
Lá chegados procede-se à procura de um buraco para meter o carro (esta operação exige tempo e paciência). Mas a tolerância reina e o carro pode ficar em cima dos passeios, em cima da parte central das rotundas, à volta das rotundas... haja imaginação!

Chegados ao areal procede-se à escolha do lugar para assentar arraial.
Esta parte também é delicada e exige alguns cuidados, a saber:
"Aqui não! Não vês que a maré está a subir?"
"Aqui está muita gente"
"Aqui está muito longe da água"
"Aqui está sujo"
etc...
Finalmente encontra-se o lugar perfeito (perfeito até se instalar mesmo ao lado uma família com garotos barulhentos e uma bola...)

Agora é dispor os ingredientes pela seguinte ordem:
  1. espetar os diversos pauzinhos do pára-vento
  2. espetar o guarda-sol
  3. estender o saco, as roupas e as chanatas ao longo do pára-vento
  4. procurar o lugar ideal para a cadeira (nem ventoso nem demasiado abrigado, nem muito quente nem muito frio, nem muito ao sol, nem muito à sombra...- esta operação requer anos de prática, não desanimem se não sair bem logo à primeira!!
Segue-se a altura de pegar no protector solar e besuntar o corpo a gosto.
Estende-se a toalha, cuidadosamente para não a encher de areia, pois esta tem o péssimo hábito de se colar ao protector solar, transformando as pessoas em rissóis prontos a fritar...
Finalmente faz-se a viagem (curta, de preferência) até ao mar.

Serve-se gelado!
Bom apetite!

NOTA: Nunca usar ao domingo

... e 4!

Agora, ao fazer o meu "zapping-de-antes-de-dormir dou de caras com o "programa" «Fiel ou infiel».

Lista das dúvidas:

  • Aquela gente existe mesmo ou são ET?
  • As histórias são reais ou fictícias?
  • Se são reais há outra dúvida: serão pessoas normais as que expõem assim a sua intimidade?
  • Aquele "apresentador" que mal cabe na roupa que veste é mesmo doido ou só finge que é?
  • E aquele público? Foram buscá-los a que planeta?
E entretanto mesmo sem querer, assim como quem olha horrorizada para um acidente, ouço um "homem" insuportavelmente machista a confessar que bate na namorada ou mulher, ou companheira, ou lá o que é...

Se isto se passa com gente a sério e não com actores, aquele tipo devia sair dali direito para a cadeia!!

Moto quatro ou água quente?

No sábado passado, na praia da Costa Nova, o marido de uma amiga minha foi picado por um peixe-aranha.
Saiu da água cheio de dores e dirigiu-se ao nadador-salvador para que lhe acudisse...

Volta dali a pouco dizendo que o nadador-salvador não lhe fez nada, apenas o mandou caminhar pela areia quente.
E lá andámos nós com ele a passear pela areia quente!

Hoje vi uma reportagem nas notícias que confirmaram aquilo que eu já tinha ouvido falar: em caso de picada de peixe-aranha uma coisa que alivia bastante é pôr o pé de molho em água bem quente.
Bastava terem um termo com água quente para acudir às pessoas!
Mas não têm!
Entretanto, os nadadores salvadores passeiam-se pela praia de moto quatro!!

Xena, a minha princesa guerreira

A minha gata é de uma meiguice extraordinária, ainda para mais levando em conta que nunca na vida deve ter tido um carinho dum ser humano.
Adaptou-se rapidamente às festinhas e até já começou a ronronar.
Também já salta para o meu colo sempre que me vê sentada ali a jeito.
Consegue fazê-lo quase sem eu sentir, tal é a sua delicadeza!
E tem um olhar meigo e doce, como raramente vi num gato!

No entanto é também uma guerreira.
Se assim não fosse não teria sobrevivido sabe-se lá em que condições e, quando já tinha aqueles seres minúsculos à sua responsabilidade, ter procurado um lugar seguro para depositar a sua preciosa ninhada... (aqui é onde o meu marido diz "mas há por aí tantas casas, tinha de escolher logo esta?")

Ontem de manhã dormi até mais tarde e já passava muito das 11 quando fui levar o pequeno almoço ao maralhal (mas à noite tinha-lhes deixado Friskies secos, leitinho e água...)
Quando eu entro no quintal ela não estava mas aparece imediatamente.
Só que não vinha sozinha: trazia na boca um pardal já morto, mas acabadinho de caçar. Não tinha uma gota de sangue...
Olhou para mim como quem diz "não nos trazias sustento, tive de me safar"
Ralhei com ela, expliquei-lhe que agora já não precisa de caçar para comer.
Muito menos passarinhos!

À tarde, ia morrendo enojada quando encontro, também morta, uma ratazana tão grande como eu nunca vi: era maior que os filhotes gatinhos!
Eu, que nem tenho nojo de ratos nem nada dessas mariquices, tive de chamar o meu marido para tirar dali a ratazana. Que noooojo!

E é assim: tenho uma gatinha que é um doce, mas que não pode renegar o lado selvagem que todos os gatos têm, mas que ela deve ter apurado melhor que os gatos que vivem desde bebés nas nossas casas.

De onde vêm as bebidas??

Quantos de nós, quando enfiamos a moedinha numa máquina não ficamos a imaginar o que se passará lá dentro?
Eu confesso que fico, principalmente nas máquinas que fazem café ou capuccino (hummm)...

Então divirtam-se a ver este filme de alguém que, tendo as mesmas dúvidas, resolveu explicá-las em filme!
E que imaginação!!



(Era este post que se deveria chamar "Sharon Stone nua", mas fica para a próxima!!)

Pelo direito ao sossego!

Está instalada a polémica na pacata Aveiro por causa do alargamento do horário dos bares...
Pelo que percebi, a Câmara Municipal e os senhores donos dos bares resolveram alargar o horário de funcionamento dos ditos cujos até às 4 da manhã.
Isto sem dar cavaco (salvo seja!) nem aos moradores, nem aos bombeiros, nem à Polícia, nem à Junta de Freguesia, que estão todos contra o tal alargamento de horários.

Trata-se da zona mais antiga da cidade e as pessoas que moram naquele zona são principalmente pessoas de idade.
Algumas aparecem nos jornais a queixarem-se que não conseguem dormir e que, ao contrário dos frequentadores e até dos donos dos bares, têm de ir trabalhar durante o dia!!
Os bares fecham às 4 horas, mas depois o pessoal demora ainda a debandar.
Fazem barulho, sujam, estragam carros...
Não é precisa muita imaginação para adivinhar que as pessoas que ali moram perderam o sossego!

A Câmara desculpa-se com os turistas, tadinhos dos turistas que não tinham onde se divertir, mas o que eu sei (não por experiência própria porque não frequento o local, mas por ouvir falar) é que aquele local é frequentado principalmente por malta nova (mesmo muito nova), normalmente estudantes.
Ao contrário do que se pode pensar, parece que são mais os estudantes liceais que os universitários.

Até que ponto tem uma Câmara o direito de sobrepor os interesses de uns poucos ao direito ao sossego das pessoas?
Em nome dum turismo que afinal não existe?
Querem promover o turismo?
Façam pistas para ciclistas pela cidade, até às praias e entre elas...
Iluminem partes da cidade que estão às escuras como a nova zona pedonal...
Façam festas ao ar livre gratuitas (ou será que estão à espera de haver outro campeonato de futebol?)

Os turistas vêem-se de manhã bem cedo a passear por Aveiro, não me parece que tenham estado nos bares até às 4 da manhã...

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