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Fábulas

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O fim da culpa

Não ia escrever mais sobre o assunto "culpa" (afinal este blog não é para ser levado demasiado a sério), mas a qualidade e quantidade dos comentários leva-me a esclarecer algumas questões:

Não é verdade que há 30 anos ninguém reprovava. Quem tem a minha idade ou é mais velho, com certeza que se lembra de haver, lá bem ao fundo da sala, o grupo dos "repetentes". Essas crianças que não conseguiam aprender, para lá ficavam até completarem 14 anos. Depois iam à vida delas (trabalhar...) e não iam estragar as estatísticas dos liceus de então.

Quando um casal em que os dois trabalham fora resolve ter filhos, a partir do momento em que eles nascem, têm de arranjar alguém (pessoa ou instituição) que fique com eles. Os horários dos pais e da escola normalmente não são compatíveis e há ainda os períodos de férias que, como é completamente legítimo, são maiores para as crianças.
E como referiu a Dulce, o problema é que os pais deveriam ter mais tempo para estar com os filhos.
Muitos não estão porque não podem, mas há muitos que não estão porque não querem...
Alguns passam a vida a dizer que têm pouco tempo para estar com os filhos, mas andam sempre a arranjar maneira de os manter ocupados em milhentas actividades.
Toda a gente conhece crianças com "agendas" mais preenchidas que as de muitos adultos.
E as crianças não brincam ao que lhes apetece, não inventam novos jogos, pois acabam por fazer sempre as brincadeiras sugeridas pelo professor, pelo educador, pelo monitor e sei lá quem mais...

Fico de cabelos em pé quando sei que há pais para quem a escola é apenas um sítio como outro qualquer onde podem "despejar" os filhos enquanto vão tranquilamente à sua vida.
Não é!
A escola é um local de trabalho!
As crianças durante o tempo lectivo trabalham mais do que muitos adultos que eu conheço!
Acho muito bem que se criem condições para que as escolas possam ficar com as crianças num horário mais alargado, não tenho nada contra.
Desde que não se criem mais horas de aulas e o ficar na escola para lá do tempo lectivo seja voluntário.
Ou passa pela cabeça de algum adulto quando tem uns tempos livres ir passá-los no local de trabalho?

Quanto à entrada para a escola aos 5 anos, acho que é muito cedo.
As crianças são muito novinhas para terem tanta responsabilidade. Aprender a ler, a escrever, a contar, são tarefas bem difíceis!
Tal como querem fazer agora com as Universidades, também podiam criar uma espécie de "ano zero" para os pequenos: aos 5 anos ia tudo para a pré (ou mesmo para a escola).
Aprendiam algumas regras, aprendiam a pegar num lápis, a rabiscar, a conhecer as cores, a ouvir e contar histórias...
Muitas dessas actividades as crianças fazem-nas pela primeira vez na escola primária!(É verdade, Varela de Freitas...nem todas as crianças passam pela pré!)

Sobre avaliações, os professores são avaliados todos os anos pelas "autoridades competentes", e todos os dias pelos pais, pelas mães, pelos vizinhos, pelo homem do talho, pela mulher da padaria e ainda por gente que não nos conhece de lado nenhum mas que "ouviu falar".
Parece-me que poucas profissões haverá onde os trabalhadores estejam tão expostos a avaliações...

Para terminar este assunto da culpa, ainda tenho a dizer que sim, tenho culpa de muitas coisas que fiz e de muitas que não fiz...
Mas são culpas minhas, que assumo ou assumi e pelas quais me responsabilizei na devida altura.
Às vezes chego a casa com uma sensação de culpa, de dever não cumprido, por achar que podia ter feito mais e melhor e não fiz porque não me apeteceu, porque estava cansada ou chateada...
Diferente da sensação de impotência do "não fiz porque não me atrevi, esforcei-me ao máximo e não cheguei lá..."
Acredito que todos tenham dias assim...

Quando me referia a "não ter culpa" falava de culpas colectivas.
Daquelas que são de todos para permitir que não se responsabilize ninguém.

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