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Fábulas

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O meu Natal

Mal começavam as férias do Natal lá rumava eu e a minha irmã para Vale de Cambra onde vive todo o resto da família.
Os dias antes do Natal eram poucos para tanta brincadeira, para apanhar o musgo, fazer o presépio (enorme, por cima da lareira da casa dos meus tios), ir à igreja assistir às cerimónias próprias da época e sei lá que mais!
A noite de consoada era uma festa: pai, mãe, avós, tios e primos juntos numa mesa farta de bacalhau com todos. Para a sobremesa rabanadas, mexidos, bilharacos, pão-de-ló, leite creme, bolo-rei...
No fim de jantar os mais novos declamavam poemas e cantavam, enquanto os mais velhos jogavam às cartas e conversavam à lareira.
Antes de nos deitarmos (desta vez excepcionalmente depois da meia-noite) havia o ritual de perfilar os sapatos todos à beira da lareira.
No dia seguinte de madrugada lá estávamos nós a ver o que nos tinha caído no sapato. Nada de especial se comparado com a fartura de hoje: meia dúzia de chocolates (guarda-chuvas, carrinhos de chocolate, uma tablete da Regina... Quem se lembra?). Costumava haver também uma boneca de plástico (não tinha cabelo, não falava, muito menos fazia xixi!) e algumas peças de roupa.
____________________

Se comparado com a quantidade de prendas que recebem a maioria das crianças de hoje, parece um Natal pobre...
Mas não! Aquela boneca pindérica a quem eu arrancava os braços e as pernas dois ou três dias depois, dava-me mais felicidade que as carradas de brinquedos que as crianças recebem agora, escolhidas e listadas dos milhentos folhetos que já vêm prontos dos hipermercados, faltando apenas pôr o X onde interessa!
Não quero dizer que as crianças de agora não sejam felizes, mas no meio de tantos brinquedos, acabam por não ligar a nenhum... E acabam também por não dar valor nenhum ao esforço que os pais fazem para lhes dar o que pedem, pois muitos escondem dos filhos esse esforço como se de uma vergonha se tratasse...
...
E, depois, há aqueles que nem dinheiro têm para uma refeição decente!
Mas desses não falo hoje senão o AFlores vem aqui ralhar comigo... :-(

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