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Fábulas

Fábulas

O país dos números

Vivemos no país dos números.

Nas escolas então atingiu-se um nível nunca visto em matéria de números. Tudo se resume a números, gráficos e percentagens.
Como se as aprendizagens das crianças destas idades pudessem ser expressas em números!
As avaliações das crianças, que eram apenas qualitativas, caminham a passos largos para serem quantitativas (os alunos do 4.º ano já são avaliados de 1 a 5 valores).

Até as crianças que nos chegam das pré-escolas já vêm avaliadas com percentagens disto e daquilo!

Ando a ler aos meus alunos "O principezinho" (estilo novela, 1 ou 2 episódios capítulos por dia)
Por isso dedico ao ministro da educação (que adora números) uma frase que lhes li hoje:

"As pessoas crescidas gostam de números. Quando lhes falais de um novo amigo nunca perguntam o essencial. Nunca vos dizem «como é a fala dele? Quais os seus jogos prediletos? Coleciona borboletas?» Perguntam «Que idade tem? Quantos irmãos são? Quanto pesa? Quanto é que o pai ganha?» E só julgam que o conhecem depois disto. Se disserdes às pessoas crescidas : «Vi uma casa de tijolos vermelhos, com gerânios nas janelas e pombas no telhado...» elas não conseguem imaginar uma casa. É preciso dizer-lhes: «Vi uma casa de quinhentos contos.» Então exclamam: «Ai que bonita!»

Andamos todos crescidos de mais, é o que é.

O ministro Crato

tem o desplante de vir para os jornais dizer que os concursos não estão atrasados!
Das duas uma: ou é mentiroso ou é ignorante (e não sei escolher a melhor opção!).

Na minha escola (que até é pequena) há uma colega de Viseu. Esteve cá no ano passado e, porque é incomportável fazer viagens diárias, alugou uma casa ao pé da escola (ficou a sustentar duas casas, com o enorme salário de professor).
No fim do ano letivo, convencida de que tinha vaga para este ano, manteve a casa alugada nas férias. Interromperam-lhe as férias para a avisar de que teria de concorrer uma vez que passou a ter "horário zero" na minha escola.

Hoje, dia 2 de setembro, não sabe ainda onde irá trabalhar este ano.
Mantém a casa alugada porque pode dar-se o caso de ser "repescada". Se não for pode ter a sorte de ficar mais próxima de casa mas, da maneira que as coisas estão, poderá ter de procurar outra casa noutro local. Se assim for, no mês de setembro terá de pagar 3 casas!
A "sorte" dela é ser sozinha, mas isto também acontece a quem tem filhos, grandes ou pequenos.

Ser colocado longe de casa sempre aconteceu, mas antigamente acontecia apenas nos primeiros anos de trabalho. Agora acontece a pessoas (como é este caso) com 28 anos de serviço!


E depois, em vez de haver compreensão e até alguma solidariedade por parte de quem governa, aparecem a dizer que está tudo bem?
Isto não é de doidos?


Ver para crer!!

Mais uma achega à examinite aguda que grassa neste Ministério dos Exames da Educação:(roubado ao Agostinho)(...)Explica-se com dados reais: 6 alunos vão fazer exame a Português no mesmo dia e à mesma hora, embora sejam de ciclos diferentes, mas é assim que está calendarizado pelo ministério da educação. São alunos que vão à 2ª fase, ou seja, alunos que reprovaram, e agora têm outra possibilidade para passar, ou alunos que tiveram negativa à disciplina, e embora estejam aprovados, poderão melhorar a nota.Dos 3 alunos do 2.º ciclo 1 tem necessidades educativas e leitura de prova;Dos 3 alunos do 1.º ciclo 1 tem necessidades educativas e leitura de prova.Segundo a lei, cada aluno com leitura de prova, requer 1 leitor da prova, 1 sala e cada sala requer 2 vigilantes.São 2 alunos com leitura de prova, por isso, são 2 professores leitores de prova, 2 salas e 4 professores vigilantes.Para cada ciclo requer um coadjuvante, ou seja professor da disciplina, neste caso 2 coadjuvantes.Os professores vigilantes terão também 2 professores suplentes, 1 por cada ciclo.Os outros 2 grupos de alunos, 2 do 2.º ciclo e 2 do 1.º ciclo, terão cada grupo a sua sala e em cada sala 2 professores vigilantes, somando dá 4 professores vigilantes.Como um dos alunos do 2.º ciclo reprovou de ano, segundo a lei tem direito a prova oral a Português, ou seja, mais 3 professores para a prova oral.Os coadjuvantes e os suplentes dos 4 alunos, para poupar recursos e porque está dentro da lei, serão os mesmos dos alunos com necessidades.Temos finalmente, o secretariado que é constituído por 5 professores.No total temos 22 professores, sem contar com funcionários da escola para apoio e GNR para levar e trazer os exames.Apetece dizer: que grande trapalhada vai neste reino!

Aberrações

Ainda não me tinha pronunciado acerca dos exames dos professores contratados, porque sempre achei que a ideia, de tão estúpida que é, nunca fosse avante (e ainda tenho esperança de que não vá).

Como exemplo deixo-vos o caso da A., professora há uma dúzia de anos e que nunca passou de contratada. No tempo da avaliação inventada pela "falecida Milú" (e estes aberrantes exames também foram ideia dela), a A. pediu aulas assistidas (como era contratada acreditava que uma boa nota lhe seria proveitosa em próximos concursos) e teve uma vez nota de "excelente" e outra vez "muito bom".
Muito antes disso, antes de ter começado a trabalhar, fez um curso de 5 anos na exigente Universidade de Aveiro e um estágio profissional no Liceu José Estevão, também em Aveiro.

E agora... agora tem de fazer um exame para provar que é competente? (e continuar desempregada?)
Mas esta gente está no seu perfeito juízo?


PS:
E tinha esquecido a cereja no topo do bolo: é preciso pagar 20€!
Parece pouco? É dirigido a pessoas sem emprego.
Ah, são mais de 40 000 pessoas, e como diria o outro, é só fazer a conta!

E se fossem roubar a mãezinha?

Antigamente, quando andávamos no liceu, havia obras de leitura obrigatória (quem não se lembra de andar a dividir orações nos Lusíadas? - tadinho do Camões...)

Agora, que estamos muito à frente, também há obras de leitura obrigatória no 1.º ciclo.
Acontece que foram desencantar autores para lá de antigos (Adolfo Coelho e Guerra Junqueiro, por exemplo) e obrigam a ler livros que já não se encontram em lado nenhum.

Ou antes, não se encontravam...
Porque a Porto Editora, sempre de olho no melhor negócio, fez umas reedições foleiras dessas obras e está a vendê-los pela módica quantia de 6,90€.

Ainda por cima, são livros minúsculos e mal acabados, o que eu comprei ontem já está todo descolado!

Fazer dos professores parvos

ODEIO que me (nos) comam por parva.

A última invençao deste ministro (será sina dos professores terem sempre maus ministros?) é a seguinte:
O intervalo não é tempo letivo! Como tal, não conta e, sendo assim, teremos de trabalhar mais 30 minutos por dia.
Só um perfeito idiota, ou alguém que nunca tenha posto os pés numa escola, é que pode achar que os intervalos, no 1.º ciclo, não são letivos.
Assim sendo, eu desafio essas cabeças iluminadas que acham que esse período de tempo não é letivo, a fazerem uma visita a uma escola para verem o que realmente se passa por lá durante esse espaço de tempo.

Não seria mais honesto dizerem assim: "o horário do 1.º ciclo vai ser aumentado em meia hora por dia"?
É claro que seria, mas para isso seria preciso que houvesse gente honesta no governo.


O (mau) exemplo

No post anterior falei de como os critérios de avaliação dos exames, de tão "bem" feitos ajudaram imenso às más notas.

Atentem neste exemplo:

Concretamente, "houve um exame em que se perguntava o modo e o tempo de um determinado verbo. Todos os alunos que responderam que estava no presente do indicativo estavam certos mas viram as suas respostas serem cortadas, porque deveriam ter escrito que o verbo estava no indicativo e no presente, ou seja, ao contrário", exemplificou. Para o presidente da Confap, "isto é ridículo e não serve para avaliar conhecimentos. Não serve, aliás, para nada".
Realmente são critérios destes que fazem avançar um país...que tristeza de cabecinhas. Enfim, são os "experts" que temos a tomar conta do ensino em Portugal.


Bom senso: precisa-se!

O senhor ministro

da educação ficou muito espantado com os resultados dos exames e veio dizer que "é preciso atuar perante os maus resultados dos exames" e é só neste ponto que eu concordo com ele.
É preciso atuar!

  • é preciso reduzir o número de alunos por turma...
  • é preciso reduzir o número de turmas por professor (há professores nos 2.º e 3.º ciclos a terem mais de 300 alunos!! - devem chegar ao fim do ano sem saberem os nomes deles!)
  • é preciso arranjar uma equipa eficiente para fazer os exames (ouvi professores a dizerem que  a prova de português do 9.º ano foi mais difícil que a do 12.º ano!)
  • é preciso que os critérios sejam bem feitos e não a aberração que eram (os do 4.º ano, que são os únicos que conheço, mas ouvi outros professores a queixarem-se disto)

e, fundamentalmente:
  • é preciso ter um ministro da educação e não uma delegação das finanças na educação.
A educação não é uma mercearia para dar lucro ao fim do mês. A educação é um investimento a longo prazo, e esta gente que nos governa não entende isto.

Greve

Basta ver as "contagens" que vão aparecendo sobre a greve, para constatar que hoje só contam os alunos que fizeram ou não fizeram exame. Aliás, o objetivo da greve era mesmo esse: inviabilizar o máximo possível de exames.

Como não fui convocada para tomar conta de nenhum exame (graças a Deus, que parece que aquilo é uma autêntica tortura*, do género de uma pessoa não se poder sequer sentar), não fiz greve (se tivesse sido convocada, faria greve).
Só me ia prejudicar a mim, e já estou prejudicada que chegue...

Por isso, não me revejo nos  insultos por esse facebook fora, aos que não fizeram greve.
Há professores que, se tivessem algum poder, eram piores que o ministro.
Deus me livre deles!


* hoje, pelo que li, esqueceram todas as "regras de segurança" - algumas bem estúpidas, diga-se... - e valeu tudo, até fazer exame em ginásios. Há diretores que são uns capachos queridos.

Ó tempo volta "patrás"

Quase 40 anos depois, ei-los de regresso: os exames!
Tal e qual como dantes: os meninos e meninas deslocam-se a uma escola que lhes é estranha e são vigiados por professores que não (os) conhecem.

Que haja uma "aferição" de conhecimentos no 4.º ano, para ver se andamos todos a trabalhar para o mesmo, até concordo.
Mas exames?
Para quê, se somos continuamente pressionados a não chumbar alunos?
Para quê este circo todo, de deslocações para escola-sede, 40 e tal páginas de instruções, algumas completamente estapafúrdias, como só se poder usar caneta preta (!!)

Para serem mesmo iguaizinhos aos de então, só faltam as provas orais.
Não devem tardar!



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